Os cabelos loiros ondulados esvoaçaram quando seu braço passou por eles. As ondas ocilavam batendo em seus ombros pequenos traicoeiros. Os olhos caramelos tinham o ar superior e irônico, claro. Podia sentir os olhares sobre si, observando a sua loirisse exótica, e ela ria considerando aquilo tudo ridiculo demais. Que tipo de pessoa se deixaria dominar por outra pessoa? Ela não sabia e talvez por não saber, é que agia daquela maneira. Mas na verdade, a loira não ligava. Ah, não! Pelo contrário, aquela jovem se deleitava, ria, ironizava e jogava com aquelas vidas que se dobravam por ela. A sua inocência era tanto que chegava a ser duvidosa: muitos acreditavam, muitos ridicularizavam, muitos a censuravam. Mas nada disso importava - ela sabe o que faz e porquê faz - e deixa as bestas se gladiarem nessa briga sem fim. Porém, no final, aquilo a cansava e a verdade é que ela estava de volta ali, naquela cidadezinha minuscula e tradicional na qual nascera e se estava de volta ali, era porque ela era inocente e sua inocencia havia sido reconhecida e seus pecados absolvidos. Era fato isso. Ou não? Ela riu, o sorriso demoniaco, sedutor e de mel. Do tipo que engana, por isso o adjetivo demoniaco. E não era isso o que a loira exotica era? Os religiosos diziam, (mesmo que seja infundado) que aquele corpo era possuido por forças do mal e que tamanha beleza exotica deveria ser exorcizada: aquilo não era normal. Mas ah, ela era um anjo. Mas ah, ela era o ouro do cidade, do coração do pai, a salvadora. O que seria o preço de sua alma que fora sacrificada comparado a salvação da cidadela? Ah, mas tudo há um preço e eles iriam pagar o preço disso. O tempo é curto, a vingança é trabalhada e tende o equilibrio - e a loira riu, ela riu da desgraça que viria.
Os labios rubros e doces- se é que o doce pode ser usado como sinonimo de sedutor- sorriram, enquanto dobrava a ultima viela da cidade e ouvia o ultimo habitante sussurrar o seu nome- 'Ah, ela está de volta! Mandy está de volta'- e entrava pelo portão envelhecido e grande que costumava brincar quando criança. Seus olhos caramelos cobre observaram a porta de madeira em volta das árvores e parreiras que adornavam toda mansão, e ela entrava pela porta de madeira e se deprava com um jovem de pele queimada pelo sol sentado na poltrona que antes era a de seu pai: um arrepio percorreu seu corpo com aquela imagem sublime.
Ele a olhou, mas não sorriu, pelo contráio agitou a cabeça em negação. O sorriso de Mandy desapareceu na hora.
-Oh, Mandy. O que é este batom? Isso não combina com você. Tire isso. - e fez um gesto para o mordomo que estava acompanhando-a estender um papel para retirar o excesso de maquiagem.
-Qual o problema? Eu quis.... Inovar. Não é assim que dizem? Não é como se você não estivesse feliz em me ver.
-Oh, Mandy. Você sabe que estou.
-Então, onde está a minha recepção, irmãozinho?
Ele a olhou. Pigarreou e no fim, cedeu. Seus braços a acolheram calorosamente, matando a saudade que sentia dela. Ela a o envoltou com seus braços pálidos e delicados, beijou-lhe a lateral da face, o pescoço e sorriu por cima de seu ombro: os olhos caramelos cobres cintilaram pela sala - ela estava delirando em seus pensamentos, altos demais e traiçoeiros demais. Tudo começaria ali.
Oh, Mandy está de volta na cidade!
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