Noite de festa. Lua alta no céu estrelado, vestidos longos, cabelos, maquiagem feitos. Era uma noite perfeita para uma dança.
Dança de olhares, dança de movimentos - seja ela qual fosse o tipo de dança.
Mas nada havia acontecido. Ela o olhou, mas não o viu. Talvez o tenha, mas não o tinha notado. E se ele a olhou, ela não percebeu seu olhar sobre si, e talvez ele não a tinha visto ainda.
As horas na festa desmanchava os seus minutos e segundos, até que ele a visse por inteiro, notado a presença dela ali. Seja de qual forma fosse, seus olhos enfim encontraram com os dela e mesmo que o salão estivesse escuro, ela notou o tom da cor deles e notou então, a beleza do rosto largo (fez uma nota mental sobre os maxilares dele) e estendeu a mão para ela - é lógico que estenderia- e revelou seu nome, ( nome que não divulgo, nome que não ouso pronunciar) e seu sorriso iluminador. Devo dizer que a educação dela não permitiu que ela fosse grossa ou devo dizer que ela simplesmente não quis ser grossa? Porque claro, ela estendeu-lhe a mão, sorriu e deixou que ele soubesse o seu nome. Mas naquele momento foi apenas isso. Controlados demais, ou era porque apenas era o começo da noite.
Desmanchou-se então, a noite. Era realmente uma noite perfeita para uma dança, e ele claro, estava alto, alegre (o subentendido basta) e ela dançava sem se importar se ele havia notado ela. Até que ele parou ao lado dela, estendeu a mão e lhe sorriu mais uma vez, dizendo o seu nome. E talvez, pensando agora, talvez fosse o sorriso dele que não a fazia querer ser rude, grossa. Ao inves disso ( como é de costume ela fazer, como normalmente faria) ela lhe sorriu e comprimentou de volta. O beijo que veio em seguida foi na lateral do rosto, caloroso, e teria sido certeiro se ela não virasse o rosto - ou talvez era intenção dele ser na lateral.
Palavras trocadas, olhares trocados, palavras trocadas - ele havia começado tudo neste exato momento- até que enfim ele dissesse aquelas palavras que há muito ela não ouvia: l-i-n-d-a. E ela gargalhou, de vergonha, de não acreditar, e disse obrigada com um sorriso tipico de vergonha. ( acrescento: ela fez outra nota mental- louco, sim, ela o considerou louco) E então, enfim, finalmente, no escuro da noite, do salão, na empolgação, ele despejou as vogais e consoantes que compunham o nome dela, e acrescentou que gravaria o seu nome, e mais uma vez disse que ela era linda. E ela estava mesmo, linda. E ele gravou mesmo o seu nome. E ela soube então que ele a tinha visto, notado. A tal ponto que durante todo o desenrolar da festa ele dizia aquelas letras: l-i-n-d-a. E o que ela poderia fazer naquele momento, se tãopouco ela sabia investir? Apenas sorria, agradecia. E sorria, trocavam olhares, ele a observava, ela o observava mesmo que o ignorasse ás vezes. Ignorar este que era diferente de dizer um não.
O observava, em silêncio. Mesmo porque a reação de seu corpo era de não rejeitá-lo, porque ela não via meios de fazer isso, porque ela simplesmente não queria, e não havia percebido isso, não havia notado isso. E talvez, talvez não, certeza, sim, certeza, ele a cativou naquela festa. E o abraço que aconteceu na hora da despedida, era carinhoso, e curioso. Palavras foram trocadas, gestos trocados. Um abraço diferente, devo dizer. E ela lhe sorriu e investiu antes de deixar o salão de festas.
Era uma noite para dançar- perfeita.
Nenhum comentário:
Postar um comentário