Devo dizer que uma semana depois ouve comentarios entre ela, sua amiga e seu amigo sobre isso. Mas nada demais, apenas um simples comentário. O tempo passou, natal, reveillon. Janeiro enfim veio. E ela em sua solidão, mostrando-se presente, ela nem se lembrou. Até que o convite veio, de viajar com suas amigas ( para esclarecer a viagem- festa de dezoito anos) e nesse meio tempo em que se passou da festa e o convite seu frágil coração despedaçou-se em mil pedaços (ou talvez, apenas recebeu o golpe final para que suas rachaduras se rompessem) e ela foi afim de curar a alma ferida, a fim de se isolar de sua propria solidão que a consumia e a qual já fazia parte dela, mesmo assim ela foi. E jamais o pensamento de que poderia vir a encontrá-lo nessa viagem lhe ocorreu. Ela não se lembrou, porque pensava em sua amiga. Mas o encontrou. E o viu, o notou, sentiu. E novamente aquela sensação estranha, e boa, não a fazia ter vontade de dizer não. Porque a propria ideia em si parecia ferí-la, doía. Não, ela não queria rejeitá-lo, e não encontrava forças para isso. E não iria.
Sábado chegou, a comemoração. Ele a viu, ( no dia anterior- na sexta, acrescento que eles se encontraram e ele sorriu, lembrando-se dela) e ela o viu. Ela foi até ele. Palavras foram trocadas, olhares foram trocados. Ele cantou, e cantou um refrão para ela. Ele piscou e sorriu, e era voltado para ela, apenas ela. E um abraço veio. Um abraço bom, que precisava acontecer uma hora. Sentimento sublime aquele que a invadiu. Ela estava em volta dos braços dele, e os seus o embalavam também. Ele lhe deu um beijo no rosto. Conhecimento e reconhecimento, saudade talvez daquele abraço. E ela não iria soltá-lo, mas havia um impecilho que a fez fazer isso. Mais algumas palavras desnecessarias, e ela não ficou muito longe dos braços dele. Até que se encontraram no quarto escuro. E então, enfim, finalmente, o beijo veio. Um beijo bom. Mesmo com todo o desespero dele, mesmo com toda a vontade: dentes se encontraram, labios se encontraram, e por ultimo suas linguas se entrelaçaram: a dele na procura da dela. Um beijo que foi ficando lento, suave. Um beijo que teve todas as suas devidas etapas.
Mãos, beijos, abraços, e a menor vontade de largá-lo. Mas a agonia dela, o seu coração quebrado, levou-a ao desespero: não sabia o porquê, não sabia o por quem ela o queria, não sabia. E o seu desespero cresceu, sua dor e suas feridas. Mas talvez ela se sentiu assim, porque se sentiu bem, completa, como não estava acostumada a se sentir. E ele notou, achou que o problema era ele. E ela queria que ele não pensasse isso, mas suas palavras pareciam vazias e sem sentido e ela não conseguia encontrar as palavras certas a se dizer. O que ela poderia fazer, quando um turbilhão passava-se em seu coração? Ela precisava de ar. E mesmo com todo o seu desespero e nervosismo (fosse o que fosse) ele não a rejeitou, não perdeu o ineteresse. Ele estendeu a mão, ajudou-a. Preocupou-se com o que ela sentia e tentou (com sucesso) faze-la se acalmar, a esquecer aqueles sentimentos de agonia e desespero. E tudo o que sobrou em seu peito foi o carinho e o afeto: o desejo dele que ela sentia por ele. E que sempre sentiu, desde o momento em que o viu. Mas como ela poderia alcançá-lo, se nada do que ela dissesse ela entendia? Se ela não sabia o que fazer, o que dizer? Porque ela não encontrava palavra spara se dizer. E então, ela o beijou. Ela. Uma atitude que talvez tenha servido muito mais do que qualquer palavra que ela tentara (inutilmente) dizer. Como se só um beijo fosse o necessario para alcançar o coração dele. Ela queria que ele soubesse, que ele sentisse o quanto ela estava bem ao lado dele. (Minhas palavras estão alcaçando você? Porque eu não posso alcança-lo? Por favor, me deixe alcança-lo - foi o que ela pensou- o meu beijo o alcance) E talvez, o alcançou. Porque ela pode sentir seu coração bater rapido, o coração dele batendo rapido demais.
Sua mão no rosto dele, os beijos depositado em sua mão fina.
Os corpos juntos, abraçados. Toques trocados, carinhos, beijos trocados. O desejo dele. A vontade dela. O toque dele, o toque dela, o corpo dele tensionado ao toque da mão dela, o corpo dela se arqueando para senti-lo mais perto. A mão dele tremendo quando a tocou pela primeira vez. Beijos, um beijo, abraços, um abraço, entrelaçados os dedos, suas mãos fortemente entrelaçadas (detalhes julgo desnecessário, mas a insinuação da cena é entendivel)
Ela apenas sentia ele ( devo dizer, fisicamente e psicologicamente), e tudo o que sobrou em seu peito ela não sabe dizer o que é. Ele lhe deu algo, algo que é muito mais do que ela poderia imaginar, e que ela não sabe o que é. Mas algo fechou-se em seu coração despedaçado. Uma sensação boa. Ele a fez sentir-se bem, muito bem. Segura, feliz, envolvida por ele. Ele a fez bem, mais do que qualquer um ousou, teve direito, tentou ou fez.
E é por isso, a sensação de querer retribuir, de querer vê-lo de novo, se ele ainda quiser. É por isso que ela ainda tenta alcançá-lo. E chega de parentesis, chega de comentarios escondidos ao longo do texto, chega de varias personalidades. As minhas palavras podem alcançar você? Os meus sentimentos, a minha felicidade, tudo, podem alcançar você? Os meus sentimentos estão alcançando o seu coração?
É por isso que estou aqui, tentando alcança-lo da outra ponta. Eu estou alcançando você?
Nenhum comentário:
Postar um comentário