O sol se deitava atrás daquele precipício abandonado á beira-mar. As copas das árvores encobriam praticamente todo o céu deixando que a luz passasse em meio aos buracos da folha, em fios. Os salgueiros deitavam-se tocando o chão, formando um caminho. Os flamboyants seguiam o mesmo modelo dos salgueiros, avermelhando o bosque verde. A escadaria feita de pedra estava quebrada e o mato o dominava. Algumas plantas mortas, outras flores acumuladas num canto e em outro canto, e como se estivesse formando um jardim, rosas dominavam.Ela suspirou ao chegar ao topo do precipício. Debaixo de um salgueiro, ela avistou um menino, quieto isolado de todo o resto de costa, foi até ele. Nunca havia visto ele naquelas terras. Perguntou-se o que ele estava fazendo ali.-Ei, moleque... O que faz em um lugar como este? Não devia estar em sua casa?- percebeu as mãos machucadas e sujas de terra, pedras em cima do chão remexido, o pequeno garoto, tão minúsculo perto do mundo, tremia.
-Mataram eles. Eles morreram.
-Eles? Seu pai e sua mãe?
Silêncio.
Ela viu a dor do menino, ele estava quebrado. Parecia que ia explodir de tanta dor. Ao lado dela, as rosas. Escolheu a mais branca e jogou em cima das pedras. O garotinho se espantou. Ela levou os pulsos até a boca e os mordeu até o liquido vermelho sair. Levou-o na direção acima das pedras e deixou que o liquido fedendo a ferro escorresse em cima delas. Era sua oferenda. O garotinho virou para olhá-la. Os olhos de mel estavam espantados. A boca dela suja de vermelho, o olho esmeralda ganhava um tom enferrujado devido ao sangue. A figura dela, tão forte, tão respeitosa, tão majestosa o hipnotizou e fez seu pequeno e inocente coração de criança estremecer e bater acelerado.
-Não há muito que eu possa oferecer. Apenas tenho o meu sangue e mais nada. Ofereço o meu sangue aos Deuses para que vigiem essas almas que te deixaram sozinho no mundo, e em troca, a sua vida irá me pertencer. - Limpou os pulsos de algum modo, e começou a andar. Girou o rosto para fita-lo. Os olhos de vidro metálico o hipnotizaram ainda mais. Ela levantou o braço e esperou.
-Venha. Vai viver comigo agora.Sorriu e correu para ela.
-Ah, moça... Qual o seu nome?
-Ah, meu nome? Arisa. Arisa.
E ele lhe entregou o seu mais doce e inocente sorriso.
m.franco-

