sábado

texto 24: -don't explain: mandy is back in town.

Os cabelos loiros ondulados esvoaçaram quando seu braço passou por eles. As ondas ocilavam batendo em seus ombros pequenos traicoeiros. Os olhos caramelos tinham o ar superior e irônico, claro. Podia sentir os olhares sobre si, observando a sua loirisse exótica, e ela ria considerando aquilo tudo ridiculo demais. Que tipo de pessoa se deixaria dominar por outra pessoa? Ela não sabia e talvez por não saber, é que agia daquela maneira. Mas na verdade, a loira não ligava. Ah, não! Pelo contrário, aquela jovem se deleitava, ria, ironizava e jogava com aquelas vidas que se dobravam por ela. A sua inocência era tanto que chegava a ser duvidosa: muitos acreditavam, muitos ridicularizavam, muitos a censuravam. Mas nada disso importava - ela sabe o que faz e porquê faz - e deixa as bestas se gladiarem nessa briga sem fim. Porém, no final, aquilo a cansava e a verdade é que ela estava de volta ali, naquela cidadezinha minuscula e tradicional na qual nascera e se estava de volta ali, era porque ela era inocente e sua inocencia havia sido reconhecida e seus pecados absolvidos. Era fato isso. Ou não? Ela riu, o sorriso demoniaco, sedutor e de mel. Do tipo que engana, por isso o adjetivo demoniaco. E não era isso o que a loira exotica era? Os religiosos diziam, (mesmo que seja infundado) que aquele corpo era possuido por forças do mal e que tamanha beleza exotica deveria ser exorcizada: aquilo não era normal. Mas ah, ela era um anjo. Mas ah, ela era o ouro do cidade, do coração do pai, a salvadora. O que seria o preço de sua alma que fora sacrificada comparado a salvação da cidadela? Ah, mas tudo há um preço e eles iriam pagar o preço disso. O tempo é curto, a vingança é trabalhada e tende o equilibrio - e a loira riu, ela riu da desgraça que viria.
Os labios rubros e doces- se é que o doce pode ser usado como sinonimo de sedutor- sorriram, enquanto dobrava a ultima viela da cidade e ouvia o ultimo habitante sussurrar o seu nome- 'Ah, ela está de volta! Mandy está de volta'- e entrava pelo portão envelhecido e grande que costumava brincar quando criança. Seus olhos caramelos cobre observaram a porta de madeira em volta das árvores e parreiras que adornavam toda mansão, e ela entrava pela porta de madeira e se deprava com um jovem de pele queimada pelo sol sentado na poltrona que antes era a de seu pai: um arrepio percorreu seu corpo com aquela imagem sublime.
Ele a olhou, mas não sorriu, pelo contráio agitou a cabeça em negação. O sorriso de Mandy desapareceu na hora.
-Oh, Mandy. O que é este batom? Isso não combina com você. Tire isso. - e fez um gesto para o mordomo que estava acompanhando-a estender um papel para retirar o excesso de maquiagem.
-Qual o problema? Eu quis.... Inovar. Não é assim que dizem? Não é como se você não estivesse feliz em me ver.
-Oh, Mandy. Você sabe que estou.
-Então, onde está a minha recepção, irmãozinho?
Ele a olhou. Pigarreou e no fim, cedeu. Seus braços a acolheram calorosamente, matando a saudade que sentia dela. Ela a o envoltou com seus braços pálidos e delicados, beijou-lhe a lateral da face, o pescoço e sorriu por cima de seu ombro: os olhos caramelos cobres cintilaram pela sala - ela estava delirando em seus pensamentos, altos demais e traiçoeiros demais. Tudo começaria ali.
Oh, Mandy está de volta na cidade!

quinta-feira

texto 23: revelry(parte 2)

Devo dizer que uma semana depois ouve comentarios entre ela, sua amiga e seu amigo sobre isso. Mas nada demais, apenas um simples comentário. O tempo passou, natal, reveillon. Janeiro enfim veio. E ela em sua solidão, mostrando-se presente, ela nem se lembrou. Até que o convite veio, de viajar com suas amigas ( para esclarecer a viagem- festa de dezoito anos) e nesse meio tempo em que se passou da festa e o convite seu frágil coração despedaçou-se em mil pedaços (ou talvez, apenas recebeu o golpe final para que suas rachaduras se rompessem) e ela foi afim de curar a alma ferida, a fim de se isolar de sua propria solidão que a consumia e a qual já fazia parte dela, mesmo assim ela foi. E jamais o pensamento de que poderia vir a encontrá-lo nessa viagem lhe ocorreu. Ela não se lembrou, porque pensava em sua amiga. Mas o encontrou. E o viu, o notou, sentiu. E novamente aquela sensação estranha, e boa, não a fazia ter vontade de dizer não. Porque a propria ideia em si parecia ferí-la, doía. Não, ela não queria rejeitá-lo, e não encontrava forças para isso. E não iria.
Sábado chegou, a comemoração. Ele a viu, ( no dia anterior- na sexta, acrescento que eles se encontraram e ele sorriu, lembrando-se dela) e ela o viu. Ela foi até ele. Palavras foram trocadas, olhares foram trocados. Ele cantou, e cantou um refrão para ela. Ele piscou e sorriu, e era voltado para ela, apenas ela. E um abraço veio. Um abraço bom, que precisava acontecer uma hora. Sentimento sublime aquele que a invadiu. Ela estava em volta dos braços dele, e os seus o embalavam também. Ele lhe deu um beijo no rosto. Conhecimento e reconhecimento, saudade talvez daquele abraço. E ela não iria soltá-lo, mas havia um impecilho que a fez fazer isso. Mais algumas palavras desnecessarias, e ela não ficou muito longe dos braços dele. Até que se encontraram no quarto escuro. E então, enfim, finalmente, o beijo veio. Um beijo bom. Mesmo com todo o desespero dele, mesmo com toda a vontade: dentes se encontraram, labios se encontraram, e por ultimo suas linguas se entrelaçaram: a dele na procura da dela. Um beijo que foi ficando lento, suave. Um beijo que teve todas as suas devidas etapas.
Mãos, beijos, abraços, e a menor vontade de largá-lo. Mas a agonia dela, o seu coração quebrado, levou-a ao desespero: não sabia o porquê, não sabia o por quem ela o queria, não sabia. E o seu desespero cresceu, sua dor e suas feridas. Mas talvez ela se sentiu assim, porque se sentiu bem, completa, como não estava acostumada a se sentir. E ele notou, achou que o problema era ele. E ela queria que ele não pensasse isso, mas suas palavras pareciam vazias e sem sentido e ela não conseguia encontrar as palavras certas a se dizer. O que ela poderia fazer, quando um turbilhão passava-se em seu coração? Ela precisava de ar. E mesmo com todo o seu desespero e nervosismo (fosse o que fosse) ele não a rejeitou, não perdeu o ineteresse. Ele estendeu a mão, ajudou-a. Preocupou-se com o que ela sentia e tentou (com sucesso) faze-la se acalmar, a esquecer aqueles sentimentos de agonia e desespero. E tudo o que sobrou em seu peito foi o carinho e o afeto: o desejo dele que ela sentia por ele. E que sempre sentiu, desde o momento em que o viu. Mas como ela poderia alcançá-lo, se nada do que ela dissesse ela entendia? Se ela não sabia o que fazer, o que dizer? Porque ela não encontrava palavra spara se dizer. E então, ela o beijou. Ela. Uma atitude que talvez tenha servido muito mais do que qualquer palavra que ela tentara (inutilmente) dizer. Como se só um beijo fosse o necessario para alcançar o coração dele. Ela queria que ele soubesse, que ele sentisse o quanto ela estava bem ao lado dele. (Minhas palavras estão alcaçando você? Porque eu não posso alcança-lo? Por favor, me deixe alcança-lo - foi o que ela pensou- o meu beijo o alcance) E talvez, o alcançou. Porque ela pode sentir seu coração bater rapido, o coração dele batendo rapido demais.
Sua mão no rosto dele, os beijos depositado em sua mão fina.
Os corpos juntos, abraçados. Toques trocados, carinhos, beijos trocados. O desejo dele. A vontade dela. O toque dele, o toque dela, o corpo dele tensionado ao toque da mão dela, o corpo dela se arqueando para senti-lo mais perto. A mão dele tremendo quando a tocou pela primeira vez. Beijos, um beijo, abraços, um abraço, entrelaçados os dedos, suas mãos fortemente entrelaçadas (detalhes julgo desnecessário, mas a insinuação da cena é entendivel)
Ela apenas sentia ele ( devo dizer, fisicamente e psicologicamente), e tudo o que sobrou em seu peito ela não sabe dizer o que é. Ele lhe deu algo, algo que é muito mais do que ela poderia imaginar, e que ela não sabe o que é. Mas algo fechou-se em seu coração despedaçado. Uma sensação boa. Ele a fez sentir-se bem, muito bem. Segura, feliz, envolvida por ele. Ele a fez bem, mais do que qualquer um ousou, teve direito, tentou ou fez.
E é por isso, a sensação de querer retribuir, de querer vê-lo de novo, se ele ainda quiser. É por isso que ela ainda tenta alcançá-lo. E chega de parentesis, chega de comentarios escondidos ao longo do texto, chega de varias personalidades. As minhas palavras podem alcançar você? Os meus sentimentos, a minha felicidade, tudo, podem alcançar você? Os meus sentimentos estão alcançando o seu coração?
É por isso que estou aqui, tentando alcança-lo da outra ponta. Eu estou alcançando você?

texto 22: revelry(parte 1)

Noite de festa. Lua alta no céu estrelado, vestidos longos, cabelos, maquiagem feitos. Era uma noite perfeita para uma dança.
Dança de olhares, dança de movimentos - seja ela qual fosse o tipo de dança.
Mas nada havia acontecido. Ela o olhou, mas não o viu. Talvez o tenha, mas não o tinha notado. E se ele a olhou, ela não percebeu seu olhar sobre si, e talvez ele não a tinha visto ainda.
As horas na festa desmanchava os seus minutos e segundos, até que ele a visse por inteiro, notado a presença dela ali. Seja de qual forma fosse, seus olhos enfim encontraram com os dela e mesmo que o salão estivesse escuro, ela notou o tom da cor deles e notou então, a beleza do rosto largo (fez uma nota mental sobre os maxilares dele) e estendeu a mão para ela - é lógico que estenderia- e revelou seu nome, ( nome que não divulgo, nome que não ouso pronunciar) e seu sorriso iluminador. Devo dizer que a educação dela não permitiu que ela fosse grossa ou devo dizer que ela simplesmente não quis ser grossa? Porque claro, ela estendeu-lhe a mão, sorriu e deixou que ele soubesse o seu nome. Mas naquele momento foi apenas isso. Controlados demais, ou era porque apenas era o começo da noite.
Desmanchou-se então, a noite. Era realmente uma noite perfeita para uma dança, e ele claro, estava alto, alegre (o subentendido basta) e ela dançava sem se importar se ele havia notado ela. Até que ele parou ao lado dela, estendeu a mão e lhe sorriu mais uma vez, dizendo o seu nome. E talvez, pensando agora, talvez fosse o sorriso dele que não a fazia querer ser rude, grossa. Ao inves disso ( como é de costume ela fazer, como normalmente faria) ela lhe sorriu e comprimentou de volta. O beijo que veio em seguida foi na lateral do rosto, caloroso, e teria sido certeiro se ela não virasse o rosto - ou talvez era intenção dele ser na lateral.
Palavras trocadas, olhares trocados, palavras trocadas - ele havia começado tudo neste exato momento- até que enfim ele dissesse aquelas palavras que há muito ela não ouvia: l-i-n-d-a. E ela gargalhou, de vergonha, de não acreditar, e disse obrigada com um sorriso tipico de vergonha. ( acrescento: ela fez outra nota mental- louco, sim, ela o considerou louco) E então, enfim, finalmente, no escuro da noite, do salão, na empolgação, ele despejou as vogais e consoantes que compunham o nome dela, e acrescentou que gravaria o seu nome, e mais uma vez disse que ela era linda. E ela estava mesmo, linda. E ele gravou mesmo o seu nome. E ela soube então que ele a tinha visto, notado. A tal ponto que durante todo o desenrolar da festa ele dizia aquelas letras: l-i-n-d-a. E o que ela poderia fazer naquele momento, se tãopouco ela sabia investir? Apenas sorria, agradecia. E sorria, trocavam olhares, ele a observava, ela o observava mesmo que o ignorasse ás vezes. Ignorar este que era diferente de dizer um não.
O observava, em silêncio. Mesmo porque a reação de seu corpo era de não rejeitá-lo, porque ela não via meios de fazer isso, porque ela simplesmente não queria, e não havia percebido isso, não havia notado isso. E talvez, talvez não, certeza, sim, certeza, ele a cativou naquela festa. E o abraço que aconteceu na hora da despedida, era carinhoso, e curioso. Palavras foram trocadas, gestos trocados. Um abraço diferente, devo dizer. E ela lhe sorriu e investiu antes de deixar o salão de festas.
Era uma noite para dançar- perfeita.