segunda-feira

texto 10: -mar. (parte 2)

Alcançou a superficie rápido, por instinto. Seus cabelos voaram alto, quando jogou sua cabeça para trás. As pontas tocavam o mar, e desfiavam-se pelas ondas. As mãos estavam ao lado de seu corpo, que balançava conforme as ondas do mar quebravam. Seus olhos eram profundos, calmos. Não havia tanta agitação assim em seu olhar. Não havia impetos. Ela inspirou fundo, e expirou. Não sentia dor em seu peito. Não sentia arder, não sentia o ácido infectar o ar puro que ela inspirou. Não sentia as feridas, sentia como se estivessem cicatrizes que não iria reabrir ali. Ela conseguia sentir seu coração. Olhou para o céu. O brilho do sol em seus olhos a incomodou, o brilho do sol a esquentava, como se a purificasse por dentro. As ondas do mar se tornavam mais ferozes e o movimemto bravo engolia o corpo adormecido por meio as ondas. Não sentia nada. O sono profundo a adormecia e a impedia de chegar a superficie.


'Arisa.' Ela ouvia alguém lhe chamar. Ela reconheceu a voz.
'Arisa.'
Ela queria que ele visse até ela, que a abraçasse, que segurasse sua mão e a tirasse das sombras, mas ele não via.
'Arisa.'
Mas ela não conseguia alcançar a voz. A voz lhe parecia tão longe.
'Arisa.'
Assim como o céu se distanciava da terra agora.

'Arisa.'
Ela desejou voltar.

Pulou no mar,a fim de resgata-la. Não sabia como havia ido parar lá, e muito menos sabia o que ela estava fazendo. Não. Na verdade, sabia. A ideia de que ela teria ido ali, sozinha, e estava ali, no meio do mar o atormentava. Ele se desesperou quando a viu em meio as ondas.
Segurou a mão dela com uma de suas mãos, e puxou junto ao seu.Ela segurou a mão dele, era a unica coisa que tinha agora.
Com a outra, puxou o seu corpo até a superficie, como se sua vida dependesse disso e nadou até a praia. Deitou o corpo na areia, apoiando a cabeça em seus braços,e suavemente colou os labios aos seus, puxando água ou o ar, o que quer que fosse. Queria que ela respirasse, queria que ela lhe desse algum sinal. Estremecia, o medo o dominava por todas as pontas de seu corpo e de
sua alma. Ela tossiu, a aguá saiu de dentro dela. E ela, não conseguia soltar da mão dele. Ela respirou. Revirou a cabeça para os lados, e ele tirou as mexas do cabelo do rosto dela, suavemente e docilmente.
Ele sorriu, de forma feliz, serena, triste, preocupante, aflita, tudo misturado em um só nó.
'No que você estava p
ensando, heim?O que você queria?' ele pensou.
S
egurou-a em seus braços até ela acordar.












m. franco -

quarta-feira

texto 9: - mar.

O vento soprou, quebrando-se nas pedras ao longe, uivando por entre as ondas do mar. As ondas do mar ferozmente iam e viam, lambendo as pedras rochosas abaixo de seu pés, como se não vivesse sem aquilo. O som do mar, o uivo do vento eram os unicos sons que ela podia ouvir ali, naquele lugar pacifico. O vento soprou mais uma vez, e ela suspirou pesadamente. Os cabelos balançavam deslizando no ar, e ela não sentia mais nada a sua volta.Não sentia o chão, não sentia o ar. A dor que lhe cortava a puxava para baixo e ela não conseguia se levantar. A dor que a inundava arrancava cada força, cada alicerce que ela construiu para se sustentar. A dor que ela sentia dilacerava o seu ódio, a sua raiva, o seu amor. Ela estremeceu, se encolheu abraçando as pontas de seus braços.
Sentiu todo o seu corpo se cortar, se quebrar. Sentiu as feridas em seu peito expostas, ardendo como se colocassem sal em sua carne. Sentiu como se sangrassem. Sentiu seu coração ser esmagado por uma mão de ferro. Sentiu o ar ser insuficiente para respirar. Suspirou. Abriu os braços em forma de cruz, inclinou o corpo para frente, como se recebesse uma libertação divina. A luz do sol birlhou por todo o seu corpo. Ela caiu.

As ondas do mar a puxavam para baixo, com uma força violenta. O seu corpo se movimentava para cima e para baixo, conforme as ondas iam e viam, se quebrando. Os cabelos negros se desfiavam pela água salgada, se
us braços dançavam pelo o mar, assim como o seu vestido escuro. Ela sentia a água entrar em suas narinas e sair, limpando toda as suas feridas, cicatrizando tudo o que lhe cortava. Sentiu seu coração dilatar, batendo dentro dela, sentiu aquela mão de ferro desaparecer. As ondas a puxavam para baixo, para o escuro, para o confortavél. Ela não resistiu em cair nas sombras que lhe acolhiam confortavelmente. Ela hesitou em voltar para cima.









m. franco -



domingo

texto 8: ele e ela.

Ela olhou para ele, fechou o livro e guardou na mochila. Ele sorriu quando seus olhos se encontraram com os dela. Ela sorriu para ele. Ele sentou ao lado dela, no banco. 'Oi', ele disse. E ela, sorrindo disse; 'Tudo bem?' 'Tudo' ele respondeu. 'E então, vamos?' 'Vamos.'
Ele levantou, estendeu a mão para ela e sorriu. Ela segurou a mão dele, e juntos saíram lado a lado conversando pela rua.
A tarde caía, o sol iluminava em tom dourado toda aquela montanha solitaria na qual eles sempre iam. Ela fotografava o por-do-sol, enquanto ele se aproximava dela. a concentração dela se quebrou no momento em que ele a abraçou. Ela estremeceu, por um momento perdeu o controle da respiração. Ela não esperava por isso. Ele sussurrou ao seu ouvido palavras que não podiam ser ouvidas, mas que ela ouviu. Ela sempre ouviria.
Ela sorriu. Olhou em seus olhos. Tudo estava claro, como a água do rio estava. Ele só queria o amor dela. E ela o amava como sempre o amou. Ela sussurrou ao ouvido dele. Ele segurou o rosto dela entre as mãos, ele a beijou. E ela o beijou. O vento soprou as flores do flamboyant daquela montanha solitaria.


Ele depositou, com as mãos tremendo as flores no tumulo da montanha. Ele sorriu, com uma lagrima rolando o rosto pálido, cheio de marcas na pele, formando milhões de covas em seu rosto, na qual se via os anos que lhe judiaram sem piedade e nem dó, arrancando toda a vida e beleza que ele possuia anos atrás. O tempo não fora piedoso com ele, e apagava tudo o que ele amou em sua vida, e agora por simples egoísmo, o tempo teimava em arrancar, em apagar o seu amor de sua vida, capricho no qual ele resistia em ceder. Ele suspirou. O vento gélido e gentil soprou beijando a face enrugada do velho, anunciando que o inverno não tardaria a chegar para celar em silêncio as lembranças envelhecidas dele, cobrindo com neve a montanha solitaria.
O vento soprou as flores do flamboyant da montanha solitaria, e ele soube que sua hora não tardaria. Ele sorriu, como não fazia há oitenta anos atrás.




m. franco -


quarta-feira

texto 7: - (beba mais) um gole de suco de uva.

Ela fixou os olhos na taça que brilhava a luz da vela. Seus dedos giraram em volta da base da taça, mexendo o liquido roxo que brilhava com a luz, enquanto ela deu um longo suspiro. Ela não sabia se dava mais uma garfada na comida em seu prato ou se bebia mais um gole da bebida.E isso a matava por dentro. E isso, essa decisão que mais parecia um abismo, e que ela deveria tomar a afogava ainda mais naquela queda. E isso, a corroía por dentro, como se um acido fosse jogado do topo de sua boca e caísse em sua garganta, traqueía, esofago, até chegar ao centro do pulmão como uma cascata em dia de chuva, totalmente furiosa.E isso, a matava por dentro, pouco á pouco, lentamente. Porque na verdade, na sua realidade estranha, a que criava quando estava , ela sabia muito bem o que aquele gesto, muito mais complexos do que uma simples garfada ou um simples gole da taça, realmente significavam.
Aquilo significava toda a verdade que sempre a privaram de conhecer, que sempre a esconderam dela.Aquilo que sempre a cortava por dentro.
Ela relaxou na cadeira, suspirando outra vez. Essa noite, seria a noite da verdade. Seria a revelação.
'Hoje, eu saberei o meu significado.' ela pensou, bebendo um gole do suca de uva.
Passou a mão no pescoço, girando -o em meia volta com os olhos cerrados. Resolveu prender o cabelo ondulado loiro em um coque, e então, ouviu a campainha soar.
'Já estava na hora, não é?' ela pensou, enquanto concentrava-se em sua coragem e propagar a sua frieza em ondas de eletricidade por todo o seu corpo.
A porta se abriu, e ela estendeu a mão. 'Oi, está tudo bem?' Sorriu gelo.'Entre, fique a vontade. Ele entrou, tentando explicar verdades na qual ele não tinha necessidade de explicar, não mais necessidades. Porque todos já sabiam da verdade. Menos ela.
Ela cortou-o como uma faca com palavras rápidas e diretas.
'Espero que esteja com vontade de comer peixe assado,e claro, acompanhado com o melhor suco de uva de toda a região,que você conhece muito bem. Vamos sente-se.'
Sentou-se. Jamais resistia aos seus dons culinarios, e não era agora que iria, ele podia conversar e comer, afinal isso não era um encontro. Não, não era. 'Era a noite final' ela pensou.
'Espero que isso não esteja sendo de incomondo para nenhum de nós, mas preciso lhe explicar.'
'Sim?'
Ela o olhou com a expressão mais fria e tenebrosa que encontrava dentro de si. As ondas eram mais forstes a cada pulsar de seu coração.
E pouco a pouco, ela via a verdade vindo á tona a cada palavra sua.
'Não era assim que eu queria que as coisas acabassem. Mas eu vi que era necessario, você sabe que eu sempre a amei, não é? Sempre voltei para você.'
'Sempre voltei para você.' ela pensou e riu com essas palavras. Mas tudo estava claro. Ele nunca voltou quando foi embora a ultima vez. Ele a abandonou por outra. Agora ela podia entender.
Ela então, engoliu um gole de suce de uva. Sentiu aquilo a relaxar e refrescar por dentro, a preparar para o que faria agora.
Ela sorriu.
'Cale-se. Não se explique.Eu estou feliz que você esteja de volta.'
'Ótimo.'
Ele voltou-se ao seu prato. Ela o fitou intensamente. Então, recostou-se na cadeira, com a mão em volta da base. 'Nada. Eu não sou nada. Nunca fui algo. Foi mentira. Tudo. Nada é real. Eu não significo nada.' A cabeça dela era preenchida com um nada totalmente vazio. Tão vazio que a quase cegou, quase a roubou dali. Mas esse nada era agitado pelas ondas que percorriam o seu corpo. Fim.Próximo. Fim.
Ergueu-se como uma fera caçando com uma taça de suco de uva.
'(Beba mais) um gole do suco de uva.'
Ele obedeceu.
Não demorou muito após o soco com a taça que ela deu nele. Seu corpo se contorceu a sua frente, ele tossia freneticamente, caindo de sua cadeira e puxando a toalha da mesa consigo, as veias de seu pescoço saltando, o ar lhe faltando na garganta, o veneno correndo em suas veias, seu coração parando de bater,sua visão ficando turva, seu celebro parando de funcionar. E enfim, ela percebeu, que tudo que estava ali eram uvas e que tudo iria se transformar em uvas.
Ela bebeu um gole de suco de uva.
-x-x-x-
Mandy acordou de seu sono.Jogou as cobertas longe, lavou seu rosto e desceu a cozinha. Abriu a geladeira e
pegou algo para beber. Subiu as escadas, soltando o cabelo, estalando seu pescoço. Foi no meio da escada que ela olhou para a janela aberta, e viu, as parreiras grandes e majestosas carregadas de uvas e que com certeza eram as melhores da região. Ela sorriu. Subiu até seu quarto em direção a maquina de escrever, ela sentou-se, totalmente inspirada com seu sonho a escrever um novo conto.
Mandy bebeu mais um gole de suco de uva.

m. franco -

sexta-feira

Texto 6: -O morro dos ventos uivantes(2)

Ela olhou para aqueles olhos, que embora congelados, ainda mantinham aquele fogo interno vivo. Ainda mantinha aquele fogo que a hipnotizava, que a mantinha cativa. Ela tocou a pele fria que sempre a esquentara durante a noite. Sua mão escorregou pelo rosto, sentindo uma ultima vez a pele petrificada que tanto ela amou, delineando, por fim, o contorno dos lábios perfeitos que ela tanto beijou. Ela estremeceu. Estremeceu quando sua mão tocou o peito e o coração já não mais batia. Estremeceu quando não sentiu mais o sangue correndo por entre as veias. Estremeceu por fim, em ver que ele já não estava mais ali. Que a vida que ela tanto amou estava indo embora. Mas ela ainda o sentia ali. Bem ao lado dela. Exatamente ali. Sem ameaçar ir embora. Ela podia vê-lo. Não naquela mesa engavetada de metal em que ele estava deitado com uma placa de identificação e um lençol branco o cobrindo, mas sim, ali, na sua frente, olhando dentro daqueles olhos. Queimando a por dentro. Fazendo o fogo de sua vida queimar dentro do coração dele. Fazendo a sua dor congelar e se estilhaçar em milhares de pedaços, sussurrando o seu nome fazendo a sentir-se viva. Ela o podia ver sorrindo, todas as covinhas marcadas e todas as ruginhas em volta do olho se contorcendo harmoniosamente. Ela ainda podia vê-lo.

E sua vida já não estava mais aqui. A sua vida já não queimava mais. A sua vida já não podia mais queimá-la. O seu amor já não podia mais a manter em pé. E então, ela se desesperou. Suas começaram a tentar fazer com que os lábios se abrissem para o ouvir sussurrar seu nome, a tentar fazer os olhos se abrirem para olhar dentro de seus olhos. Tentava inutilmente fazer o coração bater para queimar sua vida. Mas seu coração era seco. Seus olhos esbranquiçados e congelados. Seus lábios roxos e duros. Seu sangue não corria mais. As covinhas e as rugas desaparecerem daquele rosto de pedra extremamente sem vida. Ela gritou, implorou, suplicou, ordenou para que ele voltasse a queimar a sua vida. Mas o cretino não obedeceu. O cretino nem se mexeu. E o fogo daquele cretino se congelava mais e mais. Morto. Morto. Morto. Ele estava morto. Ele não tinha mais nada agora. Só um corpo a espera do velório.

O corpo dela encarou a realidade crua, infiel e traiçoeira. Seu cérebro finalmente processou a imagem que seus olhos puderam ver e entender. Ela sentiu seu fogo diminuir. Ela sentiu o mundo fugir de sua existência. Ela desabou no chão, segurando em suas mãos o rosto de seu amor.

-x-x-x-

'Você tem que ver isso, Ru. È simplesmente incrível o efeito do sol e da luz quando entra nessa vidraça. Sério, dá a impressão que existem sete sols no mundo. Vamos, anda. Você tem que ver isso, Ru. É simplesmente demais. '

Quando o sol fica horizontalmente na direção desta casa ás 17:30 até as 18:10, ele fica tão forte, tão laranja, tão amarelo e vermelho, tão intenso que seus raios se propagam por toda costa deste vilarejo a ponto de atravessar a vidraça da casa e a luz se dissipar em espectros de cores dançantes atingindo toda a casa iluminando-a encantadoramente. As luzes coloridas dançavam e formavam lâmpadas naturais, e era exatamente isso que ocorria naquele momento. Naquela cena digna de filme.

Ela estava lá, em frente à vidraça, sem nunca deixar seu posto por um minuto. O vestido negro até os joelhos, rodado e inteiro rendado, as luvas de renda curtas, o sapato negro, o chapéu que lhe caía com uma renda que tinha até do começo ao meio, pequena bolinhas de tecido com fios pendendo delas, escondia o rosto que observava o sol das 17h30min. A vestimenta de negro deixava a viúva mais encantadora do que antes. A deixava ainda mais linda.

Com passos divagares e palavras cuidadosas, os convidados, amigos, parentes lhe dirigiam palavras que a irritavam e que atacavam o seu amor vulnerável cruelmente.

-Senhora Perpetua? Meus pêsames. Imagino o quanto deve estar sendo difícil para você. Sinto muito.

'Fujam. Vão embora. Todos vocês. Vão embora daqui. Deixam-me em paz. Vão embora seus malditos mentirosos. Vão embora seus mascarados cínicos. Vocês não podem tirá-lo de mim. Vocês não podem tirar minha vida, seus demônios. Monstros. Vocês não podem congelar o meu fogo. Vão embora. '

'Vocês não podem. Não podem. Não podem. '

Perpetua estremeceu. Sua respiração falhou dois sopros quando o padre fez a cruz naquele cadáver em cima da mesa. Era a hora. Já estava na hora. Essa era a ultima vez que veria seu rosto. A última imagem que gravaria dele. E mesmo estando morto, mesmo estando naquele terno funerário ele ainda era lindo. Ele ainda era ele. Sem a presença da morte, só como se estivesse dormindo. E ela o odiou por isso. Odiou aquele cretino por enganá-la tão bem. Por fazer pensá-la que se o chamasse pelo nome, ele iria dizer 'Sim?', por fazê-la acreditar que era só um sono, nada mais. Ela queria esmurrá-lo. Arrancá-lo daquela cama cruel e fugir daquele lugar sufocante fedendo a morte e lágrimas como sempre faziam quando reuniões familiares o enchiam. Ela queria que ele vivesse. E o odiou por não atender a este único e ultimo pedido.

Pouco á pouco, os convidados se despediam daquele ser que trouxe o sol para a lua em apenas uma noite. Daquele ser que a ousava deixar. E então, chegou à vez dela.

Perpetua se aproximou do caixão. O cheiro de madeira envernizada se misturava com o da morte, e ela não sabia diferenciar qual era qual. Isso deixava Perpetua tonta e perdida. Seu coração falhou, suas pernas enfraqueceram e ela se desequilibrou. Seus passos miúdos transmitiam toda a dor que a dilacerava por dentro. Todo o fogo que se congelava agora. Enfim, o caminho até o caixão terminou. Ela estancou, permaneceu imóvel por um momento. Analisou o rosto que tanto beijou e adorou. Sua mão deslizou pelo rosto uma ultima vez. Acariciou-o. Beijou sua testa demoradamente e uma lagrima escorreu.Os convidados então se aproximaram para retirá-lo e enterrá-lo. Mas a raiva de Perpetua não permitiu. A raiva de Perpetua se formou em gritos e ameaças.

'Não. Não. Vocês não vão tocar nele. Ele é meu. Ele é a minha vida. Vocês não podem tirar a minha vida de mim. Vocês não têm esse direito. Vão embora daqui. Saia!Todos vocês!Saia!'

Ela se agarrou no caixão. Ela se agarrou a ele. Segurou em seus braços o seu amor. Ela abraçou o seu amor. Perpetua segurou o rosto de seu amor ao lado de seu coração.

'Você é a minha vida agora. Eu esperei por muito tempo. Não vá embora. '

'Eu não vou a lugar algum. '

Perpetua o abraçou pela ultima vez. Suas lagrimas borraram o lápis preto.

Descanse em paz. Amado esposo e filho. 1983- 2007

Perpetua colocou suas rosas ao lado da lapide de mármore. Ela seguiu o desenho do nome gravado. Sorriu com lagrimas nos olhos. Seu fogo se congelou.

'Não posso viver sem minha vida. Não posso viver sem minha alma. '





m. franco -

- Não posso viver sem minha vida. Não posso viver sem minha alma. (O morro dos ventos uivantes).

quarta-feira

texto 5: -O Morro dos Ventos Uivantes





'i can't live without my life.

i can't live without my soul.'

terça-feira

texto 4: -rider on the sunset.


Our bodies like one,
i will be your rider on ths sunset.
when the sky is screaming my name, i will be your rider on the sunset.
i will be your rider on the sunset, drowning in your heart.
i will be your rider on the sunset, waiting for my freedom.
i will be your rider on the sunset.






m. franco-

sexta-feira

texto 3: -pôr-do-sol.

O sol se deitava atrás daquele precipício abandonado á beira-mar. As copas das árvores encobriam praticamente todo o céu deixando que a luz passasse em meio aos buracos da folha, em fios. Os salgueiros deitavam-se tocando o chão, formando um caminho. Os flamboyants seguiam o mesmo modelo dos salgueiros, avermelhando o bosque verde. A escadaria feita de pedra estava quebrada e o mato o dominava. Algumas plantas mortas, outras flores acumuladas num canto e em outro canto, e como se estivesse formando um jardim, rosas dominavam.Ela suspirou ao chegar ao topo do precipício. Debaixo de um salgueiro, ela avistou um menino, quieto isolado de todo o resto de costa, foi até ele. Nunca havia visto ele naquelas terras. Perguntou-se o que ele estava fazendo ali.
-Ei, moleque... O que faz em um lugar como este? Não devia estar em sua casa?- percebeu as mãos machucadas e sujas de terra, pedras em cima do chão remexido, o pequeno garoto, tão minúsculo perto do mundo, tremia.

-Mataram eles. Eles morreram.
-Eles? Seu pai e sua mãe?
Silêncio.
Ela viu a dor do menino, ele estava quebrado. Parecia que ia explodir de tanta dor. Ao lado dela, as rosas. Escolheu a mais branca e jogou em cima das pedras. O garotinho se espantou. Ela levou os pulsos até a boca e os mordeu até o liquido vermelho sair. Levou-o na direção acima das pedras e deixou que o liquido fedendo a ferro escorresse em cima delas. Era sua oferenda. O garotinho virou para olhá-la. Os olhos de mel estavam espantados. A boca dela suja de vermelho, o olho esmeralda ganhava um tom enferrujado devido ao sangue. A figura dela, tão forte, tão respeitosa, tão majestosa o hipnotizou e fez seu pequeno e inocente coração de criança estremecer e bater acelerado.

-Não há muito que eu possa oferecer. Apenas tenho o meu sangue e mais nada. Ofereço o meu sangue aos Deuses para que vigiem essas almas que te deixaram sozinho no mundo, e em troca, a sua vida irá me pertencer. - Limpou os pulsos de algum modo, e começou a andar. Girou o rosto para fita-lo. Os olhos de vidro metálico o hipnotizaram ainda mais. Ela levantou o braço e esperou.
-Venha. Vai viver comigo agora.Sorriu e correu para ela.
-Ah, moça... Qual o seu nome?
-Ah, meu nome? Arisa. Arisa.
E ele lhe entregou o seu mais doce e inocente sorriso.


m.franco-

texto 2: -imaginária.

Os raios quentes do sol iluminavam a sala, o quarto, o banheiro, a cozinha em um tom de sépia. O silêncio era perturbador. Ela estava ao lado do batente da porta, a mão nele. O olhar percorreu pela sala apenas confirmando o obvio. Ela estava sozinha. Não havia mais ninguém ali. Só ela e os móveis de mogno. E então, talvez a sua dor, não a ferisse tanto agora, talvez, toda a sua solidão não a inundasse tanto. Suspirou; fechou as mãos em punho no batente da porta. Ela se arrastou ao banheiro; abriu a torneira e deixou a água quente encher a banheira de pedra cara. Agachou-se ao lado da banheira, e olhou a água deslizar por entre seus dedos finos. Logo; o vapor da água quente embaçaria a imagem distorcida no espelho. Dentro da mente dela, ela saltava de um abismo e caía para o mar furioso.

O corpo de mármore se afundava lentamente na água quente, a mão cadavérica se agarrava nas beiradas da banheira. A água encobriu o rosto enquanto ela prendia a respiração; e o cabelo noite se transformava em fitas desfiadas no líquido transparente. Os olhos de vidro se tornavam dóceis embaixo do mar macio.
Seu corpo se enrijeceu. Sentiu o ar lhe faltar, a garganta arder; o pulmão queimar em desespero da necessidade de ar.
As unhas pintadas agarravam-se mais a beirada da banheira. E então tudo começou a girar.
O tempo deixou de ser importante enquanto as batidas de coração se tornavam chumbo. As vozes pareciam ter sido trancafiadas em uma caixa abafando-as, as luzes douradas pareciam de veludo e borradas. As ondas eletrizantes de dor a sufocavam e adormeciam o corpo, fazendo com que sua cabeça se afundasse entre as ondas do mar macio dentro de sua mente. Dentro dele era escuro, quente, confortável. Ela não quis acordar. Ela não voltou á superfície.

'let me stay,
where the wind will whisper to me,
where the raindrops as they're falling tell a story,
if you need to leave the world you live in,
lay your head down and stay a while,
thought you may not remember dreaming
something waits for you to breath again.'Imaginary-Evanescence.


m. franco-

quarta-feira

texto 1: - escolha.

'Em um outro mundo, eu teria sido o seu sol; ' ele me disse.
É isso ecoava em mim. E então, eu sonhei com isso. Eu desejei, eu quis isso. E então, eu o senti distante; e então, eu vi. Eu vi; que em um outro mundo; eu não seria eu. E você, também, seria diferente. Eu e você seríamos completos estranhos. E o meu eu estranho e o seu você estranho iriam ser os estranhos mais felizes. E estaríamos juntos. E em um pôr-do-sol estranho, eu pediria um beijo.
Mas pedir um beijo seria demais para você?
pedir um abraço; seria demais para você?
pedir para estar ao seu lado; seria demais para você?
pedir para sorrir; seria demais para você?
pedir para ser um flor barata qualquer ao invés do sol, seria demais?
pedir apenas para ir embora seria apenas demais?
E então; assim; seríamos os dois estranhos mais perfeitos do mundo.



quem sabe, então, você não me escolheria?


m. franco - dedicado á um amigo e uma amiga minha. P.S: eu perdi a minha senha e email e aí acabei tendo que criar outro blog igual em outra conta, portanto não vão falar que é plagio ao ver outro blog igual á esse no mesmo estilo.