Podia sentir o calor lhe aquecendo, enquanto seu corpo permanecia dormente ao toque confortavél em sua pele. A claridade da luz lhe atingiam os olhos, mesmo que estivessem fechados. Ele revirou-se e esperava que estivesse deitado em algum tecido, mas sentiu o leve roçar de grama embaixo de seu corpo, coçando. Sentiu, ainda dormente, e imperceptivelmente, uma leve brisa, um leve aroma de flor no lugar, e pode ouvir então, um silêncio. Um silêncio estranhamente sereno, aconchegante, seguro e tentador assim como o calor. Ele encolheu-se, afundando-se em tal tranquilidade que não conseguia encontrar meios de sair dali. Talvez fosse assim que quisesse permanecer, aquecido, confortavél.Sem feridas expostas no peito, sem buracos negros o sugando. Apenas em paz. E se fosse um sonho, então ele não queria partir daquele sonho.
'Porquê voce está falando sozinho?'
E então, sentiu o vento soprar, sentiu o perfume de rosas alcançando-o. Sentiu um roçar de pontas de cabelo em seu rosto.E pouco a pouco, um nervosismo desconhecido percorreu em tremores por seu corpo.E ouvia a voz perfuradora dilacerando o seu sonho como uma lamina afiada.
Ele abriu os olhos, como uma ação instintiva ao som daquela voz. Ele congelou.
'O que você disse?'
'Porquê você está falando sozinho? Você não mudou nada.Como você é bobo.'
E então, ele a viu. Ela estava lá. Em seu sonho. Sentada encostada em um tronco de árvore, o rosto de perfil, o vento balançando seus cabelos negros como a noite a frente de seu rosto, apoiado em uma das mãos e mesmo assim ele pode reconhe-lo. Sempre iria reconhecê-la. Suspirou, e encolheu-se. E sentiu, dentro de si, algo queimar silenciosamente. Ela estava ali, afinal.
'Arisa...Arisa.'
'Sim?'
'Arisa... Por onde você andou? Eu estive te procurando por todo este tempo...'
'Do que você esta falando? Eu sempre estive aqui.'
'Mas eu não te vi...'
'Ei... Você está bem? Parece que está delirando... Não está falando nada com nada.'
'Eu estou bem. É só...'
'Só?'
Ele olhou em seus olhos por um breve momento. E não havia indicios de sua partida, não havia marcas expondo a escuridão cominate que sofrera com a sua partida. Talvez ela estivesse certa, estaria delirando. Seus olhos olhavam como sempre o olharam, sem rodeios ou desvios. Os olhos esmeralda mar brilhavam com a luz do sol, e eram tão limpidos quanto o mar, tão claro que podia senti-lo dentro de si.
'Nada. Nada.'
Ele ajeitou-se melhor no gramado, apoiando-se nos joelhos dobrados dela, enquanto ela brincava com uma das mechas de seu cabelos. O contraste loiro dourado em sua pele de mármore era como uma cascata de água ao sol. Ela deu um breve sorriso.
'Você cortou o cabelo.'
'Ah,sim. É que chegava a ser incomodo ter aquela aparência.'
'Ha, para mim, nunca foi.'
Ele sorriu.
E então, o sol se punha ao horizonte, colorindo o céu. E não havia nada mais além dele e dela ali. Não havia nada mais do que o som aveludado de suas vozes em pequenas conversas, não havia nada mais do que o contato carinhoso entre eles, não havia nada mais do que o silêncio agradavél que compartilham como costumavam compartilhar, não havia nada mais no mundo que importasse do que ele e ela. E ele, sentia-se curado, sentia o sangramento causado pela falta dela estancado. E ela, sentia-se bem, como se nunca tivesse existido feridas par a serem cicatrizadas dentro de si. E pudia ver em seus olhos, todo o seu amor voltado para ele, mesmo que fosse o incosciente dela lhe dizendo, mesmo que ela negasse, mesmo que ela não lhe revelasse. E ela pudia ver, dentro dos olhos dele, todo o seu coração. E era assim que deveriam permanecer.
Ele deitou-se na grama, outra vez, fechando os olhos levemente. Ela ajoelhou-se ao seu lado, e depositou um beijo em sua testa; um toque suave de labios gelados na pele quente. Seu perfume o hipnotizava, mais uma vez. Seu toque o entorpecia, outra vez. Seu calor aconchegante o deixava dormente.
Um beijo. Um unico beijo. Um simples e solitario toque. Longo demais. Profundo demais. E estranhamente, sentiu as feridas se abrirem, lentamente. E então, ritmado a escuridão habitava o seu sonho, abafando e levando toda a paz que existia em seu sonho. Tudo parecia mais real agora.O fim.
'Aonde você está indo? '
'Eu não vou a nenhum lugar.'
Ouviu a voz dela abafada, ao longe.
'Você está. Espere, não vá!'
'Eu não vou a nenhum lugar.'
Ela repetiu, mas ele pode sentir. O beijo dizendo adeus. Ela estava partindo. E ele caía, de volta a dor que sentia.
'Não!Não vá! Não vá!'
Mas ela já não estava mais ali, e ele já não era mais capaz de alcança-la.
-
Eu acordei, abri os olhos lentamente.Eu estava em casa, seguro. Olhei para os lados, e ao meu lado da cama, era Leah que estava lá. Respirando calmo e lento. Sorri.
'Que saudades. Há quanto tempo eu não sonhava com Arisa...Onde você está? O que esta pensando?'
Fechei os olhos, outra vez. O vento soprou leve, com uma furia docil. Não tinha certeza se iria reencontra-la, mas talvez fosse em meus sonhos que poderia vê-la, uma ultima vez. Ou todas as vezes que desejasse.
-
m.franco -