quinta-feira

texto 18: -lost.

E então, em meio aos feixes de luzes na escuridão, eu o encontrei. Depositei meus olhos nele, enquanto eu o via direcionar os seus para mim. Senti algo queimar. E me prendia; evitando que eu encontrasse forças para rejeita-lo. Havia alicerces, estranhos alicerces que sustentavam meu olhar ao dele, havia um brilho que me cegava e nada chegava a ser cortante ali. E havia um toque docil. E me encontrava perdida no tempo e no espaço. Não sei exatamente o que aconteceu, tudo rapido demais. Não lembro da primeira sensação. Era quente, confortavél. Nada era doloroso ali.
E foi só então, que eu percebi. Talvez fosse assim. Em meio a sede e fome que eu sentia, a cada passo eu estava longe dali. E eu me distanciava a uma velocidade que não podia ser parada. E eu me perdia mais no tempo e espaço. E eu visitava algum lugar que há muito não via. E eu não podia ver mais nada. E eu não podia ouvir nada. E etão, em meio as luzes claras, eu pude ver. Era só o que eu podia ver. Nada mais além disso. E seu rosto era tudo o que eu poderia ver.


E eu me perdi.









m. franco-
to someone who has gone.

quarta-feira

texto 17: -in the deepest darkness

Eu deposito o meu amor em sua alma fria,
e embora a cupula azul desliza-se por entre os frageis dedos,
crave em meu coração a sua dor dilaceradora,
deixe-me decair em seus braços,
deixe-me definhar em seus beijos,
deixe-me perder em seus sonhos,
deixe-me sufocar em seus pedaços,
deixe-me ser prenchido pela sua existência.


até desaparecer em sua essência
.



até que nós desaparecessemos para sempre dentro das profundezas da escuridão.




m. franco-

domingo

texto 16: - love(poetry).

E a alvorada caía em si
enquanto os raios de sol retrocediam-se,
enquanto lá fora, o meu amor continuava a se encolher,
enquanto lá fora, a valsa contiuava a bailar,
enquanto lá fora, a solidão continuava a permanecer,
enquanto lá fora, a minha dor continuava a verter.

E as folhas outonais deslizavam-se por entre o ar
e o vermelho sangue marcava meus olhos,
e insistia em cortar os mais doces pulsos de tal alma
e insistia em marcar os mais frageis cantos de tal alma
que nada mais poderia ser além de solitária,
e tudo que poderiam lhe permitir era ser solitária,
enquanto lá fora, o mundo desaparecia de minha existência,
enquanto lá fora, as ondas do mais negro mar me cercavam
enquanto lá fora, a minha dor continuava a verter.

E o céu azul derramava cristais brancos que reluziam ao sol,
e que me cicatrizavam quando enfim, descobri seu olhar em mim
e
o seu sorriso iluminava a escuridão embaçada,
e em meu peito a chama queimava
enquanto lá fora, o meu amor começava a despontar
enquanto lá fora, a valsa continuava a bailar,
enquanto lá fora, a solidão desaparecia,
enquanto lá fora, a minha dor diminuía.


E os primeiros raios de sol surgiam ao horizonte,
assim como a primeira petala de flor desabrochava,

assim como o amor que nascia era a corrente que nos mantinham presos,
e nada mais importava além dos braços que me recebiam todas as tardes,
porque eu nada mais podia desejar além daqueles braços tão diferentes do meu,
e a mim, nada mais cabia além de dedicar-lhe minha vida,
porque eu poderia amar a sua dor, mesmo que eu não fosse causadora dessa dor,
porque eu poderia amar o seu amor, mesmo que esse amor não fosse meu,

e ele depositava em mim o seu mais doce olhar,
e tudo o que eu poderia ver era ele,
e o meu amor lhe pertencia,
porque se não fosse para ama-lo, oh Deus, qual o sentido então, de minha existência?