Sentiu todo o seu corpo se cortar, se quebrar. Sentiu as feridas em seu peito expostas, ardendo como se colocassem sal em sua carne. Sentiu como se sangrassem. Sentiu seu coração ser esmagado por uma mão de ferro. Sentiu o ar ser insuficiente para respirar. Suspirou. Abriu os braços em forma de cruz, inclinou o corpo para frente, como se recebesse uma libertação divina. A luz do sol birlhou por todo o seu corpo. Ela caiu.
As ondas do mar a puxavam para baixo, com uma força violenta. O seu corpo se movimentava para cima e para baixo, conforme as ondas iam e viam, se quebrando. Os cabelos negros se desfiavam pela água salgada, seus braços dançavam pelo o mar, assim como o seu vestido escuro. Ela sentia a água entrar em suas narinas e sair, limpando toda as suas feridas, cicatrizando tudo o que lhe cortava. Sentiu seu coração dilatar, batendo dentro dela, sentiu aquela mão de ferro desaparecer. As ondas a puxavam para baixo, para o escuro, para o confortavél. Ela não resistiu em cair nas sombras que lhe acolhiam confortavelmente. Ela hesitou em voltar para cima.

m. franco -
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