sexta-feira

texto 12: - para todo o sempre e sempre empre empre.

'No final, era você quem ela sempre escolheria.', ele disse. A voz abatida, seca, confirmando o obvio.Sentou-se na cadeira, de maneira suave,como se portasse toda a sabedoria do mundo dentro de si. Como se fosse o mais velho de todos os anciões. E naquele momento, ele era mesmo. Pelo menos para ele, parecia ser um.Porque ele precisasse que fosse um.Senão, como iria entender?O homem loiro sentado, fez um breve sinal com a cabeça, convidando o outro a sentar. Ele sentou, delicado, desabando pouco á pouco na poltrona. Escorregado sua dor e fragilidade por entre os ossos de seu corpo, acomodando nas formas da poltrana. Se não fosse a poltrona, seria o chão. E do chão ficaria.Seu silêncio era quieto demais, atormentado demais. Então, finalmente, descobrira uma das verdades que dentro dele já sabia, totalmente inconsciente. Era um perfeito soco no estomago e ele sabia que era verdade. Só agora entedera.
'Então porque?Porque. Ela. Me deixou?', sua voz era fraca demais, suave demais, baixa
demais. Quase como um sussurro inutil tentanto quebrar o silêncio pesado.O sábio loiro respondeu, gentil, embora cansado.
'Porque ela te amou.'
'O que?', agora o soco era um tiro no estomago. Provavelmente, uma 9 milímetros.
'Ela sempre te amou. Ela não tem tempo para você agora. Foi por isso que ela partiu.'
Agora eram dois tiros. Um no estomago e um certeiro em seu coração.
'E ela sempre te amou.'O sábio levantou, suspirando. Pegou suas coisas, direcionou-se a porta. Uma leve irritação se formava em espasmo no seu rosto, e antes de partir, direcinou-se a ele. 'Talvez voce entenda agora.Mas isso não importa.', permaneceu em silencio por um minusculo momento.'Porque é você quem ela só ve.' E partiu.Ele permaneceu ali. Sangrando aos poucos. Não podia se mexer. Não sabia o que fazer. Mas não havia nada o que fazer. Iria sangrar aos poucos até estancar. Ele teria que esperar. Viver. Sua vida. Seu tempo. Seu amor iria acalmar, e sua dor também. Um dia estaria bem. E um dia ela voltaria. Agora havia entendido. Fazia parte dela. Um dia o vento sopraria e ela voltaria. Por que no final, era ele quem ela sempre escolheria. Para todo o sempre.















m. franco-

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